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terça-feira, 22 de julho de 2014

Quando a atividade não funciona: o que fazer?

Quando a mamãe faz uma atividade e eu não ligo muito, ela não se preocupa tanto. A mamãe não cria expectativas de "resultados" ou de "conclusão". As expectativas que a mamãe cria, ela chama de "expectativas do processo".


A aprendizagem é um processo, e cada atividade em si uma possibilidade de revisar o que se sabe e avançar ou reforçar algum conhecimento, bem como, apresentar algo totalmente novo.
Minha mamãe acredita que o conhecimento é construído como blocos que se encaixam (no entanto não formam mais um quadrado como quando a mamãe era criança, hoje em dia estes blocos formam uma rede de conexões que vão formar novas conexões). Assim a forma circular pode me levar a aprender sobre um planeta ou parte de uma pegada de dinossauro.

Aprender não é algo linear (tanto que cada criança tem seu próprio tempo para aprender a mesma coisa) apesar de muitos adultos limitarem a compreensão das crianças dentro de suas próprias limitações. 

Então após criar uma atividade, preocupar-se mais com o processo é procurar que a atividade seja DIVERTIDA, COMPREENSÍVEL E incentive minha AUTONOMIA. 

Pensando nisto , a mamãe criou uma etiqueta para avaliar as atividades que ela faz para mim.  Porque ao avaliar as atividades ela pode revisar e aprender a fazer atividades cada vez melhores e que vão me interessar mais. 

A mamãe parte do princípio de que se eu não me interesso por uma atividade, o problema não sou eu mas sim a atividade (ou a maneira como ela apresentou a atividade para mim). 

A atividade precisa ser avaliada, adaptada, melhor explicada, armazenada, reapresentada, transformada...já eu, preciso apenas gostar da atividade, entender e aprender a realizar ela sozinho. Para isto, a atividade deve me dar pistas, me indicar o caminho, ser lúdica, convidativa e desafiadora ao mesmo tempo.








Se você apresenta uma atividade para UMA criança apenas pode moldar mais a atividade, então aproveite a etiqueta colocando na observação algo que lhe chamou a atenção, por exemplo: a textura do material desagradou ou se você teve dificuldade para explicar a atividade.

Se você é professora ou apresenta a uma atividade para mais de uma criança deve usar a etiqueta percebendo a média. Se a maioria gostou, entendeu e/ou precisou de ajuda e use a OBS da etiqueta para especificar detalhes. Lembre sempre que é uma etiqueta para avaliar a atividade e não a criança, o objetivo é lhe ajudar a desenvolver VOCÊ (sua pesquisa, sua forma de apresentar as atividades, alternar os materiais que você utiliza). 

A mamãe sempre usa esta etiqueta?
NÃO. Quando uma atividade flui ela vira um post aqui no blog, e algumas partes podem virar parte de nosso arquivo de atividades (tema pra outro post). 

Agora, quando a atividade não alcança as "expectativas do processo" que a mamãe estabeleceu, ela recebe uma etiqueta para depois ser avaliada ou transformada.

Um exemplo de atividade em que não é preciso usar etiqueta, é quando eu brinco rápido mas aprendo. Porque não importa o tempo em que eu fico em uma atividade mas o meu envolvimento com ela.
Quando a mamãe queria me ensinar a quantidade do número 1 e do número 2,ela costurou a mão (do jeito dela) um livrinho usando retalhos de tecido , botões e lixa vermelha. O LIVRO ficou assim.
Ela passou o domingo a tarde inteiro costurando, porque não tem prática em costurar e ainda não tinha as dicas da Titia Sú (veja o vídeo) para costurar melhor à mão. 

No primeiro dia eu só passei os olhos e as mãos no livro. No segundo dia a mamãe deixou o livro para me receber pela manhã na minha mesa (ambiente preparado). Eu acordei, fui lá, passei a mão no cetim, nos números, na lixa...tentei abrir e fechar e larguei o livro.
No terceiro dia, eu abri , espiei e fechei. E não mexi mais.
E foi assim... se somar o tempo que fiquei com o livro na mão não deu 5minutos em todos os dias juntos. E a mamãe ficou feliz, porque apesar de tão pouco tempo, eu aprendi as quantidades. A experiência alcançou seu objetivo. Ela demorou muito mais para costurar do que eu para aprender (risos).


Agora, quando eu não quero fazer a atividade ela usa a etiqueta. 

Algumas vezes eu apenas não me interesso mesmo, e aí a mamãe não insiste, mas também não desiste da atividade, ela a guarda. 
Quando a mamãe me apresentou a brincadeira do OVO de TANGRAM eu inicialmente não quis ouvir como se brinca. Eu fui lá, peguei os desenhos na mão, peguei todas as peças e larguei no canto e fui brincar de outra coisa.

A mamãe sabia que não era uma atividade inadequada para minha idade ou para o conhecimento que eu já possuía. 
E eu já conhecia bem as cores e as texturas que eu estava brincando (no link você pode ver que a mamãe apresentou dois tipos diferentes de tangram naquela semana , para ver qual eu iria querer brincar). E a figura geométrica OVAL eu já conhecia bem, além de brincar com os Flashcards eu havia pintado os ovos de páscoa

Então a mamãe guardou a atividade e deixou dois meses na caixa, e agora no fim de junho eu estava mexendo nesta caixa, achei o ovo de tangram e puxei para montar, e com a ajuda da mamãe eu consegui completar a atividade! Montei apenas uma vez e pronto! Para a mamãe foi considerado como uma atividade concluída.

É simples assim. Se alguma atividade não alcançou suas expectativas ou não despertou o interesse, não a despreze totalmente. Guarde ela (se for impressa, coloque como anexo da etiqueta). Se for uma atividade artística anote as informações na etiqueta. Aqui, o tangram a mamãe colocou em um saco plástico com a etiqueta junto. 

A cada dois meses releia suas etiquetas e observações e veja se não está na hora de resgatar alguma daquelas brincadeiras. Tem muitas atividades que são ótimas mas quando são aplicadas no momento errado, não alcançam seus objetivos.

Claro, algumas atividades vão fracassar. Não porque você não se esforçou ou porque seu filho não aprendeu ou você não soube aplicar. E algumas vezes não haverá uma explicação satisfatória para isto, afinal estamos lidando com o elemento humano, não é uma ciência exata. 

Não é porque uma atividade deu certo com um grupo de crianças que não irá falhar com outro grupo. Tudo pode variar, e o importante é não se cobrar, não se culpar e principalmente não se frustrar ou desanimar por não ter colhido o que esperava.
Pense que as sementes que você está lançando na terra não dependem só de você para brotar, e que toda semente tem seu período de silêncio sobre a terra. 

Você pode pensar que a criança não está prestando atenção ou não está aprendendo e de repente alguma coisa ela absorveu naquela brincadeira. Ensinar é não ter controle. Toda a pesquisa e o planejamento que você faz é justamente para perceber que durante este momento onde ocorre o "aprender e ensinar", é um momento particular, ninguém o domina e mesmo que as vezes você o perceba, ele não é seu.  

Por isto ao se escolher uma atividade é preciso considerar a compreensão da criança, sua coordenação motora,seu interesse, seu desenvolvimento. Em uma sala com vários alunos isto é desafiador e e no Ensino Domiciliar é um privilégio.

Concluindo, esta dica é obviamente para as atividades bem planejadas, aquelas em que você se dedicou, pesquisou, contextualizou...depois de ter até descartado as atividades ruins, porque sim ... as atividades ruins existem. E estas não foram nem consideradas neste post. Se você ainda não consegue identificar uma atividade ruim de uma atividade boa, eu indicaria que começasse a usar as etiquetas em todas as atividades que você vai aplicar no dia. Em uma semana saberá facilmente identificar o joio do trigo. (As etiquetas ajudam a treinar o olhar e a observação para selecionar e avaliar atividades).

Qualquer dúvida, comente no post. Espero que gostem da dica, se gostou do blog ...
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