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quarta-feira, 6 de abril de 2016

Silêncio: Quando estar sozinho é bom!


Desde que a criança nasce há um esforço da sociedade para que ela se ocupe. Para que seja estimulada a conviver com outros. Para que se socialize, e que interaja com o mundo mediada pelo adulto. Para que seja entretida. 

Muitas cores, barulhos e sons, muitos estímulos para que a criança saia de si mesmo para observar o mundo.  
Sem que tenha tempo para descobrir a alegria de ter pensamentos sozinhas, é estimulada excessivamente com barulhos diversos.
Sem que possa observar a natureza em seu ritmo, é estimulada a observar pelo ritmo escolar. 
Sem que tenha descoberto e explorado o seu mundo familiar, é levada a distanciar-se do lar.
A criança precisa da família e do silêncio, para observar e criar pensamentos e hipóteses em relação ao mundo que a rodeia. Com suas memórias ela irá construir suas primeiras narrativas e assim desenvolver-se mentalmente. E estas narrativas são fundamentais para o desenvolvimento da linguagem. A neurociência atual diz que a criança utiliza partes diferentes do cérebro quando narra uma história, e que estas novas conexões desenvolvem a sua linguagem. 

E como poderá realizar toda esta complexa atividade se não tiver primeiro criado memórias, depois, pensado sobre estas memórias para então transformá-las em palavras? 
Qual o tempo e o espaço que estamos oferecendo para a criança se desenvolver naturalmente?  

Suspeito que a criança não fará isto por si mesma dentro do relógio escolar, mas sim, em seu relógio interno. Só em seu próprio tempo a criança poderá desenvolver uma narrativa original, interagindo com o que ouve e vê, e em seu tempo, transformando isto em seu pensamento. 

Isto nos leva a perguntar : Será que o objetivo atual do ensino é que todas as crianças desenvolvam a mesma narrativa? 

Por que não há tempo para o silêncio? E não falo do silêncio fabricado em salas de aula, com técnicas, mas o silêncio natural que vem de dentro.

Sim,  as técnicas poderão ajudar aquelas crianças que precisam frequentar a escola (por motivos familiares) ou que estão em escolas especializadas e aplicam o silêncio de forma organizada como no método Montessori. No entanto, para as crianças que estão com suas famílias durante toda a primeira infância, a técnica pode ser menos necessária do que o bom exemplo.  Uma forma eficaz de ensinar o silêncio, dentro do lar, é silenciando e em família, aprendendo a silenciar.


Ter o silêncio como prática diária. Manter os eletrônicos desligados. Ouvir a natureza. Ouvir o ambiente. Silenciar o lar como parte da rotina. Não é preciso passos ou tempo para se fazer isto, não estamos aprisionados em grades curriculares, o dia possui 24horas de oportunidades para ouvir o silêncio e aprender a silenciar. Faça ser parte da rotina. Que não seja um momento isolado ou uma exceção, mas a regra. E que a quebra do silêncio seja a exceção. 

Lembre-se: No silêncio, enquanto ouve o mar, enquanto observa o vento nas folhas de uma árvore, ou persegue com os olhos o caminhar de uma formiga, a criança lê a natureza e assim aprende a ler a si mesma. E aprende a ler a família.
Aprende a concentrar-se e aquietar-se e a ouvir o mundo.
A perceber-se como parte de um todo muito maior.


Uma pergunta que me fiz escrevendo este texto  é: Será que uma criança que aprende a conviver primeiro consigo mesma, poderá ter mais chance de saber lidar com os problemas da vida adulta?  (Onde a maioria das decisões importantes são tomadas individualmente e primeiramente dentro da consciência ).

Eu não tenho a resposta, mas se isto for verdade, é urgente criarmos  nossas crianças para não temerem o silêncio, como alguns adultos que não conseguem ficar um minuto do dia sem estímulo auditivo ou visual (seja ligando a televisão ou ouvindo música, ou vendo vídeos). Adultos que não suportam o silêncio, pois é no silêncio que poderão ouvir a si mesmos .

E crianças que não tenham medo de dormir sozinhas no escuro, quando não há nada de assustador ali, apenas a ausência dos estímulos externos e a própria imaginação. É no escuro que podemos visualizar e ouvir nossos próprios pensamentos. 

Concluindo, como disse Maria Montessori  "As crianças não são apenas sensíveis ao silêncio, mas também às vozes que as chamam para fora do silêncio".  Que não seja a nossa voz que constantemente retira a criança de seu estado de silêncio, mas a voz que a chama quando realmente tem algo para lhe falar.  

Não precisamos ter medo da criança estar sozinha com seus pensamentos, pois nestes momentos, estar sozinho é bom.

Na imagem que ilustra este post, meu filho estava sentado observando o mar. Por minutos ficou ali só olhando as pequenas ondas, às vezes batia na água e ria. Depois silenciava. Eu fiquei observando ele absorvendo a natureza em sua volta e toda a riqueza daquele momento. 
Depois de muito tempo sentado e concentrado, como ele jamais ficava em outras atividades, levantou-se e brincou como sempre.  Quando chegamos em casa, e eu entrei no "modo mãe" colocando a roupa da praia para lavar, dobrando a roupa do varal e molhando as plantas  (tudo ao mesmo tempo) , ele me olhou correndo e tentando abraçar o mundo em 5 minutos rs e ele me disse: "Relaxa mamãe". "Como?" eu perguntei. E ele repetiu pausando: "Re laaaa xa". Eu ri e desacelerei. Como toda mãe, eu realmente preciso aprender a relaxar. 




Glaucia Mizuki

Leia também: 

O Iceberg da Socialização Escolar Infantil e a Falsa Tolerância.



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quinta-feira, 31 de março de 2016

5 Mentiras sobre a Socialização nas creches



A pessoa defende a socialização compulsória entre crianças de mesma idade e aí quando surgem os atritos, ou justificam a violência ou legitimam o medo.

É normal as crianças aparecerem com roxos.
Mentira.  Não é normal
crianças se morderem e se baterem em creche e nem é normal seu filho chegar todo dia roxo de beliscões. Investigue e analise as causas: Será que a  sala de aula está muito cheia? Eles tem quantas auxiliares? Será que não estão deixando as crianças sozinhas por vários períodos (não é invenção, infelizmente, ouvi relatos pessoais disto)? (Dica: faça visitas surpresas em horários alternados, fale com outros pais e veja se o mesmo acontece com os filhos deles). Reclame com a escola, compareça pessoalmente e registre reclamação...não adianta enviar bilhetinho em agenda.


Observe também se o comportamento do seu filho está diferente.


É fundamental conhecer o seu filho e o corpo dele, saber quando ele cai e se machuca em casa como é o ferimento normal. Se ele estiver sofrendo mesmo violência, denuncie.
E perceber também se ele está mais agressivo, ou quieto, ou até se tem enjoos ou dor de barriga perto do horário de ir para a creche.De acordo com a psicologia infantil, estas situações de stress podem afetar também o sono e o hábito alimentar após chegar da creche. Se seu filho está lhe dando todos estes alertas, sua resposta deve ser efetiva.


O Certo é ensinar o filho a bater de volta, se alguém bater nele.


Mentira.. Não é normal incentivar seu filho bater em outra criança porque ele está apanhando todo o dia. Esta solução apenas assinala sua desistência da Educação do seu filho, afinal colocou a socialização compulsória acima da Educação e da ética e da virtude de uma boa convivência , e somente com o exercício destes valores seu filho irá fazer  verdadeiras amizades.


 Então, repense as suas prioridades. A linha entre a auto defesa e a agressão é muito tênue para que uma criança compreenda. A linha existe, mas na primeira infância pode se tornar praticamente invisível.


A violência não deve ser normalizada, muito menos na primeira infância.


A Dica é o adulto interferir como moderador, e se  for possível interromper de uma vez ou temporariamente a convivência obrigatória. Em resumo, ninguém é obrigado a conviver com ninguém. A tolerância não nasce da força, mas da empatia e do amor.


Isto é bom, ele fica mais forte!


MENTIRA. A famosa frase "O que não me destrói, me fortalece" não é para a infância. A criança é destruída pela humilhação ou violência. Não é normal a professora humilhar seu filho em sala de aula (um relato que infelizmente ouvi hoje), não irá fazê-lo mais forte (como um dos pais disse para justificar a humilhação que a criança sofreu), assim como você humilhar seu filho também não fará ele mais forte. E nem a humilhação por parte de outros amiguinhos fará seu filho mais forte. Esta conduta apenas ensina a criança a humilhar o seu próximo. Crianças aprendem com os exemplos dos adultos e copiam a conduta de outras crianças.


Não permita que seu filho seja submetido a este tipo de stress desnecessário.

Indo na creche seu filho vai deixar de ser egoísta.


MENTIRA! Seu filho não vai deixar de ser egoísta apenas por se matricular em uma creche. Valores são ensinados em casa, pela família e através dos exemplos.


 É a sua família quem vai inculcar a humildade, a caridade e filantropia no coração de seu filho. Escola é para ensinar conteúdos, e de preferência, sem doutrinação ideológica escamoteada.





Só na creche seu filho vai aprender a dividir os brinquedos.


MENTIRA. Seu filho não precisa da creche para aprender a dividir as coisas. Pois lá na creche nenhum brinquedo é verdadeiramente dele, tudo pertence ao coletivo, e dividir o que já é de todos não é tão difícil como as pessoas fazem parecer. Já os brinquedos e objetos que ele tem em casa, estes sim são dele. E é com estes objetos que você vai poder ensinar a partilha, por exemplo,  através de separação e doação para outras crianças.


Como falado anteriormente, não é a creche que vai ensinar seu filho a ter valores, os valores DEVEM ser ensinados em casa.





Sim.... tem muitas outras mentiras, mas acredito que começando com 5 apenas, já podemos repensar a realidade de muitas crianças. Devagar e sempre.


Moral: Quando você coloca a "socialização da creche" acima da importância de uma boa e real educação, algo está errado.


Repense , por favor.... pelo bem do seu filho.A Educação Domiciliar Integral, não é para todos, eu compreendo.


A Escola é na prática a única opção para muitas famílias. Se você é uma destas famílias,então faça  Educação Domiciliar PARCIAL, faça com empenho e , já aviso...é bem mais desgastante do que fazer o Homeschooling Integral. A sua participação e vigilância precisa ser redobrada!


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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Como NÃO Atrapalhar seu filho em um projeto de Arte!


Outro dia eu mostrei dois palitos para a mamãe e disse:
__Eu quero fazer uma PIPA!
A mamãe imediatamente me perguntou quais materiais eu precisava, e eu pedi:
__Eu quero uma corda, papel vermelho e cola.
Eu pensei como eu queria a pipa, e nós temos aqui em casa várias pipas mas a mamãe me deixou criar a pipa que eu tinha em meu pensamento, ela me ajudou apenas nos detalhes mais complicados como amarrar os paus bem forte para não se soltar e colar uma parte da seda.

A principal ajuda que minha mãe me deu foi não me atrapalhar. Eu queria apenas fazer uma pipa. Eu não estava preocupado se os paus eram pesados demais para voar, se ela ficaria torta, se ela estava muito diferente das outras pipas que eu tenho, eu apenas queria saber se eu era capaz de fazer uma pipa. Eu não iria participar de nenhum concurso internacional de pipas ...era apenas um menino querendo brincar de fazer uma pipa.

A mamãe ofereceu os materiais e se afastou, eu fiquei ali tentando amarrar e como não consegui , pedi ajuda e falei como eu queria que fosse amarrado. A mamãe amarrou e saiu de perto.
Depois eu fiquei  tentando colocar o papel, eu não consegui e chamei a mamãe. Ela perguntou o que eu queria e me ajudou a realizar o que eu tinha em mente.

O principal é que eu fiquei super orgulhoso da minha Pipa, espia minha cara de alegria na última foto. E estou motivado para prosseguir criando as coisas da forma como eu imagino em meu pensamento.
Depois que a pipa estava pronta, eu pedi minha outra pipa e as coloquei  lado a lado, e para mim, a minha pequena pipa era tão bonita quanto a outra e isto bastou para minha mãe ficar feliz também.

Se o seu filho, ou filha, também pede para fazer coisas eu queria lhe dar umas dicas, e estas dicas são para projetos específicos como este da PIPA, ou algo específico que seu filho possa pedir :


1) Ajude seu filho a falar exatamente o que ele quer, e pergunte quais materiais ele precisa para realizar o que deseja - ao fazer isto você está ajudando seu filho a aprimorar o próprio raciocínio, e ao pedir a lista de materiais você poderá avaliar se ele pensou em todas as etapas do projeto e guarde para você esta avaliação.

2) Se faltar algum material, não seja proativa e deixe para ele descobrir que precisa do material, por exemplo, se ele não pediu a cola para fazer a pipa, espere que ele descubra como irá colar o papel na pipa. É importante para a criança ir descobrindo por si mesmo o processo de criação e suas etapas.

3) SILÊNCIO. Não incentive, não elogie.. Seu filho não precisa ser bajulado enquanto executa um trabalho que ele mesmo teve ideia de fazer. Deixe ele a vontade, mas se ele se sentir melhor com sua presença esteja próximo (lendo um livro, passando roupa, qualquer coisa menos vendo televisão ou celular ...evite eletrônicos pois podem atrair a atenção da criança e atrapalhar o momento). O principal é fazer silêncio, e deixar ele "trabalhando" em seu projeto.

4) PACIÊNCIA. Aguarde ser chamada. O tempo da atividade é do seu filho.Se você estiver com pressa, deixe este projeto para um outro dia e faça algo mais rápido com ele no momento. Não o apresse.

5) A arte ficou pronta? Quando seu filho mostrar, seja sincera e o encoraje. Valorize o esforço dele em tentar sozinho fazer a atividade. E se quiser fotografe o momento...no futuro será uma lembrança maravilhosa.


DICA EXTRA: uma das técnicas para se iniciar um projeto de arte é colocar no papel o que se vai fazer, se a criança já desenha você pode incentivar ela a fazer isto. Nós utilizamos este recurso também para outras atividades como aqui: PISTA .


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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Você não é Pedagoga e quer ensinar seu filho?


Ser Pedagoga não facilita ser educadora de meu filho. A lavagem cerebral de que só a Escola pode ensinar é tão forte que eu mesma não me senti automaticamente pronta. Esta confiança de me ver como EDUCADORA de meu filho só aconteceu com a troca com outras mães. Vendo o que as outras mães faziam, trocando experiências com mamães homeschoolers. 

Estas amizades na internet foram e são preciosas. Não conseguiria citar todas aqui, mas preciso citar algumas que são muito especiais e me ajudaram a me entender como educadora de meu filho, e a unir minha profissão como Pedagoga e Supervisora Escolar com a minha parte MÃE e EDUCADORA FAMILIAR. 
Amigas que costuraram em meu coração e pensamento os aprendizados , fazendo eu me lembrar do que aprendi na faculdade e me sentir mais capaz a cada dia. Que me permitiram aceitar esta colcha de retalhos de meu conhecimento e me impulsionaram a prosseguir aprendendo.

MUITO Obrigada ,  amiga Luciana Araújo (do blog Estimulando meus filhos), a amiga Lorena Arbex e Mona Lina Póvoa que me convidaram para administrar junto com elas o grupo Homeschooling Brasil no Facebook (o primeiro grupo antes de surgir outro homônimo...tudo que é bom é copiado rsrs).

Perdão para todas as amigas queridas que me ensinam muito, mas estas três queridas tiveram um papel fundamental na minha auto consciência como educadora domiciliar. Foram como anjos, diariamente usadas para tirar minhas dúvidas e principalmente me ajudar a caminhar sozinha. A transformar minha postura passiva de quem tinha a mente escolarizada, para a postura de uma mãe educadora autônoma apaixonada pela auto educação.

Não tenho palavras para agradecer estas amigas e todas que apareceram depois, pois este processo formou um amálgama com minha formação. É como se todo o conhecimento acadêmico estivesse guardado em um baú empoeirado, na prateleira escolar. Eu só poderia acessar se estivesse oficialmente trabalhando para uma escola. No entanto, com estas outras mães me apoiando, e me erguendo, consegui alcançar o baú, soprar as teias e poeiras, e abrir sem medo.

Com elas aprendi que eu posso ensinar meu filho, sim , não foi meu diploma de Pedagoga que me autorizou a fazer isto, pelo contrário, ser Pedagoga e defender o Homeschooling é quase como ser a ovelha negra no rebanho. Ouvi de uma colega Pedagoga certa vez "Como você pode ser contra a escola?", mas eu não sou contra existir escolas...sou contra colocar meu filho na escola como ela se encontra hoje, é diferente. E outra que me excluiu do facebook por não querer ver minhas postagens de Educação Domiciliar rs

Esta transformação de abraçar o Homeschooling foi tão grande que minha formação progressiva em leituras e estudos nos últimos 4 anos, para mim, valeram mais do que a formação acadêmica em si, e eu posso dizer hoje que o diploma é apenas um diploma. Com isto não estou menosprezando meu diploma, pois eu sei quantas horas de leitura, estudo e dedicação eu empreguei para conseguir ele. Apenas estou trazendo esta reflexão, para que os pais que não são pedagogos tenham paz.


E por isto, que falo com todas as letras que não é preciso Pedagogia para ser educador do próprio filho. Não é preciso uma formação acadêmica. Pelo contrário, há pais educadores que não possuem nem a formação completa no segundo grau e isto não os impede de manter os filhos aprendendo , pois estão aprendendo com os filhos e aprendendo para ensinar, constantemente. 

O homeschooling é uma mudança total de mentalidade e de estilo de vida, que envolve toda a família.
Então, não se preocupe com isto agora. O primeiro passo é seu amor e determinação em prosseguir aprendendo. 

E com esta percepção educacional, de ajudar cada pai e mãe a se descobrir como educador do filho é que prossigo compartilhando neste blog dicas que possam incentivar os pais, e continuo postando os novos Materiais de Homeschooling que criamos ( a amiga irmã Renata Correa e eu) , e assim também, nesta perspectiva faço o Coaching de Educação Domiciliar para assessorar os pais nesta transição do pensamento escolar para o pensamento homeschooler. 

Pedir e buscar ajuda não é feio, se precisar, peça ajuda. Há muitas mães queridas como estas especiais que eu tive a honra de encontrar em meu caminho,e se eu puder, seria uma honra ter uma participação especial em sua história familiar de Homeschooling também,

Um abraço ,

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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Avaliação do Nosso Homeschooling 2015 e Planos para 2016

por Glaucia Mizuki
Hoje eu e Sam aproveitamos nosso primeiro dia dele aprendendo a usar a prancha, ver a disposição dele e animação foi como a coroação deste lindo ano de Homeschooling.
Ver o quanto ele cresceu e aprendeu este ano foi fantástico, um verdadeiro privilégio.

Sua evolução na fala e comunicação com terceiros (até os tios e avós comentam sobre isto) , sua disposição em aprender e respeitar os pais e avós, em escolher obedecer e mostrar-se mais maduro e autônomo. Ver cada conquista tem sido um privilégio. Perceber o quanto ele tem se esforçado e rompido os próprios limites, sua pequena coragem diante de tantos desafios.

Se eu fosse a professora dele (e eu sou rsrs) e estivesse escrevendo a avaliação anual para entregar para a mãe, teria tantas coisas para falar. Quando eu era professora em um jardim de infância a avaliação era minha parte preferida (confesso), eu tinha um dossiê diário onde ia anotando as observações, registros e evoluções dos alunos, e ao final do bimestre unia tudo isto num texto que descrevia o aprendizado da criança para as mães. E lembro como fosse hoje de uma mãe que veio emocionada com a avaliação nas mãos. Ela disse "Você descreveu exatamente meu filho, e eu me senti aqui com ele todos os dias".

Sim. Era o que eu pretendia fazer. Era ajudar os pais a se sentirem ali, fazendo parte daquelas conquistas que eu estava colhendo por eles. No entanto, cá estou eu, semeando e colhendo as conquistas junto com meu próprio filho. E na hora de avaliar ele, me vejo cheia de imagens e vídeos e registros deste ano que passou e ao invés de querer transformar tudo isto em um texto, o que eu quero é agradecer. E me permitir sentir esta gratidão pelo privilégio de ser participante na auto educação dele.

Eu sei em meu coração cada evolução e conquista e barreira que ele venceu. Eu sei o quanto ele cresceu (tanto fisicamente - pelas calças que remendei duas vezes para o inverno rsrs) e quanto evoluiu emocionalmente e em conhecimento também. Eu sei o que ele precisa desenvolver a curto -médio e longo prazo, o que ele gosta, o que ele tem dificuldade e não gosta e sei também que muitas coisas ainda não sei e vou aprender com ele (é uma parte do homeschooling que gosto muito, de aprender junto com meu filho). E mesmo apesar de toda a avaliação que está pronta, aqui na ponta dos dedos, só consigo pensar em GRATIDÃO.

É um sentimento que inunda meu coração e alma, e olhando as fotos e revendo meus registros deste ano, não consigo pensar em escrever nada diferente do que o privilégio de fazer educação domiciliar. De poder andar com meu filho todos os dias do ano, de estar ao lado dele e iluminando seu caminho enquanto ele ilumina o meu.
Então, desculpem se esta avaliação não lhe ajudar a fazer sua avaliação, mas se ela lhe inspirar a olhar com mais gratidão para tudo o que vocês fizeram neste ano, então valeu a pena compartilhar.

Entre as metas de 2015 estavam : melhorar a fala e comunicação com terceiros, cortesia e graça (inspiração Montessori), leitura dos evangelhos, Leitura de livros diversos inclusive sem imagens (inspiração Trivium - estamos encerrando o ano lendo A Volta ao Mundo em 80 Dias e lendo biografias - lemos Santos Dumont e de Cruz e Souza) , fazer leituras de livros infantis diversos (e iniciando conversas sobre os livros - interpretação de textos simples) , fizemos diversas brincadeiras para ampliar a coordenação motora fina, fizemos algumas viagens para Joinville para estimular convívio com avós, aumentar a autonomia (higiene pessoal, vestir roupas sozinhos, escovar dentes sozinho), ampliar vocabulário em Português e Inglês, matemática (aprender a contar os números de 2 em 2 até 10, aprender números pares e ímpares, somas e subtrações até 10, iniciando unidade/dezenas/centenas com material dourado). Aprofundar os conhecimentos sobre órgãos do corpo humano e ossos. Conhecer mais sobre Santa Catarina e sobre a história dele mesmo. Enfim, em termos de conteúdo, também alcançamos as metas e mesmo fazendo isto de forma muito espaçada e no ritmo do SAM, estou muito grata por este ano.

Para o ano de 2016, eu pretendo prosseguir com nosso Homeschooling Eclético, onde utilizamos inspiração de Educação Clássica, Montessori,Estudos por projetos (temáticos) e Unschooling, e prosseguirei pesquisando, pois o Sam sempre traz algo novo que me desafia então espero que no próximo ano o blog tenha muita coisa nova e inspiradora para todos os seguidores.

Com tudo isto só posso dizer que nossa avaliação é cheia de esperança, gratidão e muita alegria pelas conquistas alcançadas, mas principalmente que todo este processo é pano de fundo do sorriso de meu filho. Assim como na foto o mar é paisagem, mas não está ali só como paisagem, assim também tudo o que ele aprendeu este ano é pano de fundo para a alegria dele em aprender.

E assim, termino esta avaliação desejando a todos um FELIZ NATAL e PRÓSPERO ANO NOVO , cheio de bençãos e saúde. E também, perguntando: como está a avaliação de 2015 por aí?
Compartilhe nos comentários, vou adorar ler cada uma e responder.

Abraços,


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terça-feira, 26 de maio de 2015

Você não está sozinho: o drama dos grupos de Ensino Domiciliar

Nestes últimos meses tenho acompanhado várias famílias em seu processo de definir qual caminho seguir, tanto nos grupos em que participo como nas Consultorias que realizo, percebo um movimento orgânico e muito semelhante. 

Este "algo" aparece como um ponto comum, unindo todas estas famílias com um cordão invisível, cada família com seus valores e práticas educativas. Cada família com seu currículo e carga horária, e mesmo assim, com muito em comum.

Você pode ter lido até aqui e pensado, mas eu não tenho currículo ou carga horária, aqui é tudo muito natural. E muitas famílias acreditam  que não possuem um currículo, mas todas possuem. 

O fato de você não definir por escrito, não quer dizer que não tenha em mente um esboço do que priorizou para sua família em termos de aprendizado, e este é seu currículo. Se você não tem horário definido, e é guiado pela chuva ou sol ou pelo interesse da criança, ali está sua carga horária (diária ou semanal).

Então, o que mais estas diferentes famílias teriam em comum?

Busca pelo Conhecimento

Hoje no Brasil mais de duas mil famílias já praticam a Educação Domiciliar, e é um movimento que está crescendo cada vez mais. E estas famílias tem buscado informação e formação sobre o tema Educação Domiciliar, e sobre todos os outros temas de interesse de suas próprias famílias.

Então, uma das coisas que podemos ver em comum entre todas as famílias é esta positiva busca pelo conhecimento. Aquela mesma curiosidade que admiramos nas crianças agora tem unido famílias de todos os lugares. E assim a grande comunidade virtual de educadores domiciliares tem se costurado nos últimos meses, com uma grande sede por aprender.

Transformação da Rotina Familiar
Muitas famílias começam adaptando sua rotina para o Homeschooling, mas com o tempo vão percebendo todas as possibilidades de ensino e aprendizado dentro da rotina e vão alterando elas. 
Há famílias que passaram a fazer mais passeios depois do Homeschooling (museus, teatros, zoológicos, feiras diversas...), há famílias que passaram a ter mais momentos em família (melhorando o vínculo familiar através do diálogo), enfim, se elas começaram apenas querendo ensinar os filhos em casa, então, sem perceber, foram transformando toda a sua rotina.


Transição e mudanças de currículos 
Sim, como a família é um organismo vivo, a educação no ensino domiciliar sempre está se alterando. As prioridades, os currículos, os interesses dos filhos passam a ter mais valor, tudo vai se alterando com o tempo. 
É bem comum, entre as famílias, começarem seu ensino domiciliar de um jeito (do jeito que compreendem ser importante naquele momento) e depois com o tempo alteram totalmente sua forma de realizar a Educação Domiciliar. 

É normal num primeiro momento, trazer "a escola" para dentro casa, e aí, depois, ir adaptando e alterando tudo para formar seu próprio conteúdo programático.

A compreensão da flexibilidade e da liberdade que o Ensino Domiciliar proporciona é algo que é absorvido no ritmo de cada família e de forma diferente, mas no fim, todas vão encontrando seu caminho de compreender isto (seja estudando e pesquisando sozinho ou estudando com a ajuda profissional de um Pedagogo). 

E há muitas outras características em comum entre as famílias homeschoolers, e estas semelhanças vão formando este "algo" que falei no começo e que constrói esta grande comunidade virtual de famílias que ensinam em casa.

Você pode se perguntar agora para que escrever um texto sobre isto? Eu escrevi, pois tenho esperança neste "algo" em comum, penso no quanto estas famílias diferentes poderiam se unir. 

Claro, acho importante que haja diversidade de grupos, pois nos microgrupos elas conseguem buscar similaridades com seus valores e se especializar nas práticas e conteúdos importantes para aquele grupo familiar, mas, desejo muito que estes pequenos grupos não sejam conchas,espero que as famílias  não se fechem. 

Não tranquem as portas dos pequenos grupos familiares. Abram espaço para trocas. Abram espaços de compartilhamento de ideias, sem dramas. O conhecimento não é algo restrito, assim como você começou a buscar um dia, alguém neste exato momento está lendo este texto e começando a buscar também. Ajude no que puder.

E se você está começando a buscar informações, seja generoso também. Busque primeiro no google (há muitos textos e vídeos sobre o tema atualmente), busque no facebook (há grupos diversos com materiais para todas as idades), faça cursos (sim, há muitos cursos bons atualmente e palestras também sobre conteúdos diversos. Eu sinceramente preciso abrir um parêntesis aqui para tanta bobagem que eu li nos últimos dias sobre cursos online, mas isto vai ficar para outro post! rsrs)
Em resumo...leia e muito. As pessoas que possuem informações sobre o tema geralmente tem amor pela causa da Educação Domiciliar e estão abertas para ajudar, nestes dois anos não encontrei uma só família que não se prontificasse em compartilhar com esta mamãe homeschooler que vos fala, mas isto não quer dizer que elas sejam obrigadas a fazer isto.

Então, ao pedir ajuda, lembre que é outra família que está ali, trocando informações com você. Agradeça, e coloque-se também à disposição. É na troca que crescemos mais. E ninguém sabe tudo que não possa aprender algo, assim como ninguém é tão sem conhecimento que não possa ensinar alguma coisa.

Concluindo, a união, em nossa luta pela aprovação do Projeto de Lei do Ensino Domiciliar no Brasil, é fundamental. 

Abraços a todas as famílias. Não estamos sozinhos, temos uns aos outros.

Glaucia Mizuki

Mamãe Homeschooler, Pedagoga e Coaching Online

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